A Arte a Serviço
da Filosofia
Por: Francisco
Atualpa Ribeiro Filho
Chama-se de estética o ramo da filosofia que reflete
sobre a possibilidade de conhecimento a partir dos nossos sentidos. É notório
que nossos sentidos não são precisos e todo hora podem ser ludibriados. Mas
este problema é um dos maiores convites da ciência da Estética – possibilitar a
aventura de viver em um mundo de sensações, explorando coisas que estão bem
próximas de nós e tentar vivenciá-las como se fosse a primeira vez.
Nesse sentido, pode-se dizer que a grande tarefa da filosofia é impulsionar o homem a enxergar as coisas que o cercam como se fossem para ele estranhas. Por isso, deve-se observar a vida com olhos de águia, isto é, tendo uma visão panorâmica da realidade, dos fatos, das coisas. Não dando espaço para a conformidade.
Nesse sentido, pode-se dizer que a grande tarefa da filosofia é impulsionar o homem a enxergar as coisas que o cercam como se fossem para ele estranhas. Por isso, deve-se observar a vida com olhos de águia, isto é, tendo uma visão panorâmica da realidade, dos fatos, das coisas. Não dando espaço para a conformidade.
A arte por ser uma atividade exclusiva do ser
humano, talvez a única que esteja constantemente tentando resgatar as pessoas
da conformidade em uma vida letárgica. Com efeito, o artista ao vislumbrar o
material, a forma, a linhagem expõe um enfoque novo. Uma vez que, ele age
assim, postula um significado inovador a um objeto óbvio e banal.
O artista dessa forma, nos ajuda a perceber as coisas
no mundo que estavam camufladas, devido nossas lentes estarem embaçadas pelo
materialismo e sua companheira a alienação. Nessa perspectiva, a arte seria um
meio de dialogar com o mundo.
Theodor W. Adorno (1903-1969) em sua obra intitulada
“Teoria Estética” (1969) elucidou que, “a arte, por amor ao homem, precisa desumanizar-se”.
Para responder a um mundo desumano onde a tecnologia impera, o filósofo propõe
uma válvula de escape, a saber, uma arte ainda mais técnica, racional e realística,
pois só com uma arte autônoma seria capaz de responder no mesmo nível ao homem
que se esqueceu de ser, ser humano.
Um exemplo disso, está presente na obra de Candido
Portinari (1903-1962): “Retirantes” de 1944. Essa pintura abriu o leque
relacional com outras atividades humanas, com isso, o pintor deixa transparecer
na obra de arte seu forte caráter de crítica social.
Em traços profundos e marcantes, Portinari expressa
seus sentimentos diante das circunstâncias frias e desumanas. Num mundo onde o
avanço científico poderia proporcionar o fim da desgraça entre as pessoas, o
que mais se enxerga é a aguçada banalização do sofrimento e do horror em prol
do interesse capitalista, que uma massa minoritária detém. O pintor aclara uma
situação de desigualdade vivenciada por muitos brasileiros, que não tiveram a
mesma oportunidade de vida.
A concepção de arte em Adorno perpassa a
visão esteticista das correntes artísticas contemporâneas, tornando-se meio de denunciar
as mazelas sociais. Por conseguinte, a crítica social e a crítica artística não
podem se dissociar quando o assunto é a capacidade de pensar consciente das
pessoas. Porém nem tudo pode ser considerado como arte legítima. Atualmente prevalece
um tipo de arte que serve aos interesses do capital, apaziguando qualquer
perspectiva de reflexão, onde a arte é atrelada ao entretenimento, a
comercialização, impossibilitando seu papel original de emancipação do sujeito.
Assim sendo, a arte só pode exercer uma dimensão
social quando está aliada à crítica e à filosofia, para combater o sistema de
dominação que usurpa sua autonomia. Contudo, aprender a fazer isso é parte da
educação estética do ser humano, e não se resume a reconhecer estilos e épocas;
requer ousadia para suspender por um instante à lógica coisificante e navegar no oceano de associações de ideias,
impressões e sentimentos.
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