A Concepção
de Felicidade em Aristóteles
Por: Francisco
Atualpa Ribeiro Filho
Ao discutirmos sobre a felicidade, surgem vários
questionamentos como: o que é ser feliz? O que faz o homem feliz? Existe um
grau pleno de felicidade terrena? Qual o segredo da felicidade? Felicidade é o
mesmo que ter bens materiais? Dinheiro traz felicidade? A felicidade pode ser
comprada? É nossa vontade que aponta o caminho para a felicidade? Afinal de
contas, onde está a felicidade?
Com
isso, o filósofo grego nascido em Estagira, Aristóteles consagrou
e esclareceu esse tema no seu livro: “Ética
a Nicômaco”, formulando a famosa ética do meio-termo. A ética é,
portanto, uma reflexão, um estudo do comportamento, das ações, das escolhas e
dos valores humanos.
Mas no
nosso cotidiano ocorre de percebermos que há uma série de modelos de “éticas”
diferentes que postulam modos de vida e de ação, por vezes excludentes. Nesse
sentido, a sobriedade de nosso filósofo o fez optar por um caminho que condene
ambos os extremos, sendo, pois, os causadores dos excessos e dos vícios.
Nessa
perspectiva, o estagirita procurava o meio entre vícios e virtudes, a fim de
equilibrar a conduta do homem com o seu desenvolvimento material e espiritual.
Assim, o filósofo pontua que, a felicidade é o estado de espírito a que aspira
o homem e para isso é necessário tanto bens materiais como espirituais sem
exageros. Trata-se do modo de pensar que promove o homem como senhor e mestre
dos seus desejos e não escravo destes e, isso só acontece com o exercício
habitual do comportamento que se forma desde a infância.
Podemos refletir
ainda acerca do fato de muitas pessoas afirmarem erroneamente que o dinheiro
não traz felicidade. Qual o pai ficaria feliz vendo seu filho passando fome, ou
até mesmo no dia de natal não ter ao menos o mínimo para comprar um presente?
Quem não ficaria feliz tendo uma boa estabilidade, proporcionando a seus filhos
saúde, educação e moradia de qualidade, já que é tão penoso pelas vias
governamentais?
O
problema é o excesso, e não o dinheiro! Um exemplo disso está nitidamente
visível no Brasil, onde poucos estão “abarrotados” de bens materiais, enquanto
muitos não possuem quase nada. Com isso, devemos aclarar que, o grande vilão da
história é a incapacidade de divisão que o ser humano desaprende a cada dia, em
sua luta voraz e possessiva pelo poder.
Portanto,
Aristóteles foi pertinente ao fomentar que, o “ser feliz” é tudo na vida do
homem desde que o mesmo o busque com equilíbrio, ponderando suas ações. Por
isso, para escolher e decidir de modo justo, para construir o sentido das
nossas vidas, é preciso aprender a pensar e a pensar sobre o que pensamos, para
não cairmos no abismo materialista equiparando o Ter com o Ser tendo como lema:
“eu sou aquilo que tenho ou aquilo que consumo”.



